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Resenha A Cabeça do Santo – Socorro Acioli

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Entre fé, desespero e a voz que ecoa de dentro de um milagre improvável


Oi gente... Tudo bem com vocês ??

“A Cabeça do Santo” começa devagar, quase silenciosa, como o próprio sertão que tenta sobreviver à seca e à falta de esperança. O início pode parecer morno — e foi o que quase me fez desistir —, mas essa é justamente a armadilha mais bonita do livro: ele se revela aos poucos, como uma oração murmurada que, de repente, ganha força.


A trama acompanha Samuel, um jovem que atravessa o sertão em busca da avó que nunca conheceu. Cansado, faminto e sem rumo, ele encontra abrigo em um lugar insólito: o interior oco da cabeça de uma estátua gigante de santo abandonada. É nesse espaço improvável que o real e o místico se entrelaçam. Samuel passa a ouvir vozes femininas — confissões, preces, lamentos — vindas das mulheres do povoado. E o que começa como um delírio logo se transforma em um dom, um elo entre ele e aquelas pessoas que, de alguma forma, também buscam redenção.


A “cabeça do santo” não é apenas um cenário curioso. É um símbolo de escuta, introspecção e transcendência. Dentro dela, Samuel renasce. O espaço físico — apertado, escuro, silencioso — se torna um útero espiritual, onde o protagonista amadurece e redescobre sua fé. O santo, outrora esquecido, volta a ter voz por meio dele. E, de certa forma, Samuel se torna o milagre que aquele povo esperava.


Socorro Acioli, com sua prosa simples e poética, cria uma fábula profundamente nordestina, mas universal em seu coração. Fala sobre o poder de acreditar, mesmo quando a realidade parece dura demais para permitir qualquer esperança. Sobre como a fé, por mais absurda que pareça, é o que mantém as pessoas de pé.


No fim, A Cabeça do Santo é uma metáfora poderosa sobre escutar o outro e encontrar propósito no improvável. Um lembrete de que, às vezes, a fé não vem dos céus — mas do eco que nasce dentro da gente.

 
 
 

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