Resenha A Testemunha Ocular do Crime, de Agatha Christie
- Talita Chahine

- há 1 dia
- 2 min de leitura
Quando não há corpo, não há crime… ou será que há?
Oi gente ...
Tudo bem com vocês ??

Em A Testemunha Ocular do Crime, Miss Marple retorna em uma das investigações mais sutis e engenhosas de Agatha Christie, partindo de uma premissa desconcertante: e se alguém tivesse presenciado um assassinato… mas nenhum corpo jamais fosse encontrado?
Tudo começa durante uma viagem de trem. Elspeth McGillicuddy, uma senhora respeitável e perfeitamente lúcida, afirma ter visto, pela janela de seu vagão, um homem estrangulando uma mulher dentro de outro trem que seguia em sentido contrário. O problema é que, apesar do choque e do aviso imediato às autoridades, nenhuma evidência aparece. Nenhum corpo, nenhum desaparecimento, nenhuma notícia nos jornais. Para a polícia, sem corpo, não há crime.
Miss Marple, no entanto, pensa diferente.
Um crime invisível e uma mente que se recusa a ignorar detalhes
Ao contrário das autoridades, Miss Marple acredita cegamente na amiga. E, fiel ao seu método, começa a desmontar o caso não a partir de provas materiais, mas de padrões de comportamento, lógica e observação minuciosa. Juntas, ela e Elspeth refazem o trajeto dos trens, analisando cada curva, cada trecho da ferrovia, até identificarem um possível “ponto cego” — um local onde um corpo poderia ter sido descartado sem que ninguém percebesse.
Mesmo assim, o silêncio persiste. Nada vem à tona. É então que Miss Marple decide agir de forma indireta, pedindo ajuda a uma jovem conhecida, Lucy Eyelesbarrow, que aceita trabalhar como governanta na casa de uma família influente da região. A partir daí, a investigação se desloca do trem para uma propriedade antiga, decadente e cheia de segredos, onde o passado parece enterrado — às vezes, literalmente.
Uma casa, uma família e segredos que não permaneceram ocultos
Agatha Christie constrói com maestria o cenário clássico que tanto domina: uma grande casa, uma família disfuncional e relações marcadas por ressentimentos, silêncios e conveniências. Aos poucos, fica claro que o crime observado no trem não foi um evento isolado, mas parte de uma teia muito maior, envolvendo heranças, identidades ocultas e decisões tomadas muitos anos antes.
O grande mérito do livro está justamente em sua economia narrativa. Não há violência gráfica, perseguições ou reviravoltas mirabolantes. O suspense nasce daquilo que não é dito, do que parece banal, daquilo que todos veem — mas ninguém questiona. Miss Marple, mais uma vez, prova que entender a natureza humana é tão eficaz quanto qualquer método investigativo moderno.
Por que A Testemunha Ocular do Crime é um clássico do mistério
Este é um romance que reforça o talento de Agatha Christie para criar enigmas inteligentes, nos quais a solução está sempre à vista, mas exige atenção e paciência. Miss Marple não corre atrás do crime — ela espera, observa e conecta. E quando a verdade finalmente vem à tona, faz todo sentido.
A Testemunha Ocular do Crime é uma leitura envolvente, elegante e extremamente satisfatória, especialmente para quem aprecia mistérios clássicos, investigações psicológicas e personagens femininas afiadas, muito além dos estereótipos.
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