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Resenha Eu Sou a Lenda - Richard Matheson

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

Eu Sou a Lenda, de Richard Matheson: solidão, sobrevivência e um clássico que divide opiniões


Uma obra fundamental da ficção científica que envelheceu de forma desigual


Oi gente...

Tudo bem com vocês ??



Eu Sou a Lenda, de Richard Matheson, é frequentemente citado como um dos pilares da ficção científica moderna e uma das histórias mais influentes sobre o fim da humanidade. No entanto, apesar de sua importância histórica — e das inúmeras adaptações para o cinema — a experiência de leitura pode ser bastante frustrante para leitores contemporâneos.


A comparação com o filme é inevitável. E, nesse caso, não estamos falando apenas de mudanças pontuais: livro e filme parecem contar histórias completamente diferentes, tanto em tom quanto em impacto emocional.


Robert Neville e o peso absoluto da solidão


A narrativa acompanha Robert Neville, o último homem imune a uma praga que dizimou a humanidade e transformou os sobreviventes em criaturas que transitam entre mortos-vivos e vampiros. Neville vive preso a uma rotina rígida: sair apenas durante o dia, reforçar sua casa, retornar antes do anoitecer e sobreviver às noites cercado por ameaças constantes.

Mais do que a ação, o foco do livro está na solidão extrema. Neville não apenas está sozinho — ele está emocionalmente corroído pelo isolamento. Essa solidão, porém, não gera empatia o tempo todo. Ao longo da história, vemos o personagem cometer erros básicos, se expor a riscos desnecessários e agir de forma impulsiva, o que acaba enfraquecendo sua construção psicológica em vários momentos.


As criaturas: vampiros, infectados ou algo indefinido?


Um dos elementos mais curiosos da obra é a natureza das criaturas. Elas só podem ser destruídas com uma estaca no coração, o que remete diretamente ao imaginário vampírico. Ainda assim, o livro tenta explicar tudo sob uma ótica científica — mas sem jamais chegar a uma definição realmente satisfatória.


Essa indefinição constante pode ser intrigante para alguns leitores, mas, para outros, acaba gerando confusão e quebra de imersão, especialmente quando o próprio protagonista parece oscilar entre explicações racionais e crenças quase supersticiosas.


O cão: o ponto mais humano da narrativa


O momento mais poderoso da história acontece quando Neville encontra um cão sobrevivente. Esse trecho traz humanidade, sensibilidade e emoção genuína para a narrativa. Pela primeira vez, Neville não está apenas sobrevivendo — ele está vivendo novamente.


Esse arco, embora curto, é o mais eficiente do livro ao mostrar o impacto psicológico do isolamento e a necessidade humana de conexão. Infelizmente, o livro não sustenta esse nível emocional por muito tempo.


Passado, família e escolhas irreversíveis


A obra intercala o presente com fragmentos do passado de Neville, revelando o que aconteceu com sua família e as decisões que o levaram ao isolamento total. Esses momentos têm potencial dramático, mas são tratados de forma fria e distante, o que dificulta uma conexão emocional mais profunda.


Quando finalmente surge uma mulher na narrativa, a esperança aparece — tanto para Neville quanto para o leitor. No entanto, essa expectativa dura pouquíssimo. A reviravolta acontece rápido e, em vez de impactante, soa amarga e frustrante.


Um clássico importante, mas nem sempre eficaz


Eu Sou a Lenda é um livro essencial para entender a evolução da ficção científica e do horror pós-apocalíptico. Sua influência é inegável. No entanto, isso não significa que ele funcione igualmente bem para todos os leitores hoje.


A leitura traz reflexões interessantes sobre solidão, humanidade e sobrevivência, mas sofre com personagens pouco empáticos, ritmo irregular e escolhas narrativas que envelheceram mal. Para mim, é um daqueles casos raros em que a adaptação cinematográfica conseguiu entregar uma experiência mais envolvente do que o texto original.


 
 
 

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