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Resenha Suzane: Assassina e Manipuladora – Ulisses Campbell

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Uma investigação psicológica e jornalística sobre o crime que chocou o Brasil


Oi gente...

Tudo bem com vocês ??



Poucos crimes no Brasil foram tão exaustivamente noticiados quanto o assassinato dos pais de Suzane von Richthofen. Ainda assim, Suzane: Assassina e Manipuladora, de Ulisses Campbell, consegue entregar algo raro: não a repetição dos fatos, mas uma análise profunda das motivações, da dinâmica emocional e do processo de manipulação que levou àquela madrugada de 31 de outubro de 2002.


Ulisses não escreve para decidir se houve ou não justiça. O foco do livro é outro: entender como uma jovem criada em um ambiente confortável conseguiu planejar, articular e executar o assassinato dos próprios pais, envolvendo terceiros e sustentando uma narrativa falsa por tempo suficiente para quase enganar investigadores experientes.


Uma investigação além do óbvio


Ao longo do livro, o autor reconstrói minuciosamente a linha do tempo que antecede o crime, conversando com pessoas que conviveram com Suzane e com os irmãos Cravinhos. Christian, em especial, fornece longos relatos. Suzane, por outro lado, se recusa a colaborar e ainda tenta impedir a publicação da obra — um silêncio que, por si só, se torna revelador.

O que sempre se disse é que a motivação foi financeira. O livro não nega isso, mas amplia o debate: o dinheiro era o objetivo, mas não o único motor. O que emerge é um retrato de alguém que queria controle, liberdade absoluta e a eliminação de qualquer obstáculo entre ela e a vida que desejava.


A família, o afeto contido e a construção emocional


Um dos pontos mais perturbadores da investigação é a análise da estrutura familiar. A casa era financeiramente estável, organizada e socialmente respeitável, mas emocionalmente rígida. Os relatos apontam para uma família funcional por fora, porém distante por dentro — com regras severas, pouca demonstração de afeto e relações marcadas mais pela autoridade do que pela troca emocional.


Pequenos episódios ganham peso simbólico: o modo como Andreas agradecia presentes sem se aproximar dos pais, ou o desconforto de Suzane diante de gestos simples de carinho. Nada disso explica o crime, mas ajuda a entender por que, para ela, romper definitivamente com aquela família pareceu uma decisão possível.


Manipulação, sedução e convencimento


O livro também esclarece um dos maiores questionamentos do público: por que os irmãos Cravinhos aceitaram participar? Ulisses demonstra como Suzane utilizou chantagens emocionais, promessas e distorções da realidade, especialmente com Daniel. Christian surge como alguém que entrou na situação por não acreditar que o irmão teria coragem de agir sozinho — e que tentou recuar até o último momento, inclusive tentando acordar o casal ao chegar à casa.


Essa dinâmica revela algo central na obra: Suzane não apenas participou do crime, ela o conduziu.


Premeditação e erros que levaram à suspeita


A investigação deixa claro que tudo foi planejado com cuidado extremo. Ainda assim, três pontos acenderam rapidamente o alerta da polícia:

  • A reação fria e controlada de Suzane ao saber da morte dos pais

  • O comportamento incoerente do casal na delegacia

  • A ausência total de digitais dos envolvidos na casa


Além disso, peritos notaram algo decisivo: Suzane sabia exatamente quanto dinheiro havia no escritório, como a maleta havia sido cortada e quais objetos estavam fora do lugar — informações incompatíveis com a versão de um latrocínio.


Arrependimento inexistente


Após acompanhar também a série Tremembé, baseada nessa investigação, a sensação se intensifica: não há arrependimento real por parte de Suzane. O único lamento parece ser ter sido descoberta e ter perdido o acesso à herança. Já os irmãos, segundo os relatos apresentados, demonstram culpa e peso emocional ao longo dos anos.


Uma leitura incômoda e necessária


Suzane: Assassina e Manipuladora é um livro desconfortável — e exatamente por isso tão importante. Não romantiza, não absolve e não faz espetáculo. O que Ulisses Campbell entrega é um trabalho jornalístico sólido, que expõe como frieza, manipulação e cálculo podem se esconder atrás de uma aparência comum.


É uma leitura que não busca respostas fáceis, mas obriga o leitor a encarar uma verdade difícil: nem todo crime nasce do caos — alguns nascem do controle absoluto.💛

 
 
 

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