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Bunny - Mona Awad

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

Uma análise honesta sobre Bunny, o romance perturbador e satírico de Mona Awad que mistura horror psicológico, crítica acadêmica e surrealismo — e divide leitores.


Oi gente ...

Tudo bem com vocês ??


Quando o absurdo vira regra (e talvez você não queira jogar)

Existem livros que dividem opiniões. E existem livros que simplesmente não são para todo mundo. Bunny definitivamente entrou para essa segunda categoria — pelo menos para mim.


A premissa é instigante: Samantha Heather Mackey é uma estudante bolsista em um programa de escrita criativa extremamente elitista. Ela se sente deslocada, deslocada financeiramente, socialmente e emocionalmente. Enquanto isso, um grupo de colegas — todas ricas, delicadas, vestidas de rosa e aparentemente inofensivas — se tratam carinhosamente como “Bunny”.


O que começa como um retrato ácido do ambiente acadêmico e da competitividade feminina logo mergulha em algo muito mais estranho.


Sobre a história


Samantha é solitária, sarcástica e profundamente ressentida com aquele universo artificial. Ela despreza as “Bunnies”, mas ao mesmo tempo sente uma curiosidade quase magnética por elas. Quando recebe um convite inesperado para participar de um dos encontros secretos do grupo, decide aceitar — e é aí que o livro atravessa uma linha invisível.

O que parecia sátira literária se transforma em um delírio surreal, violento e simbólico. Realidade e imaginação se confundem. Nada é completamente confiável. E o leitor passa a questionar tudo.


A escrita: impecável


Preciso reconhecer algo com toda honestidade: a escrita da Mona Awad é maravilhosa.

É elegante, afiada, cheia de ironia e camadas. A autora constrói frases belíssimas enquanto cria um ambiente sufocante. A atmosfera é quase palpável — você sente o desconforto, a estranheza, o excesso.


A crítica ao meio acadêmico é brilhante. A forma como ela retrata a vaidade intelectual, a performatividade da sensibilidade artística e as dinâmicas tóxicas entre mulheres é extremamente bem construída.


Só por isso o livro não foi uma decepção completa.


Mas… não foi para mim


E aqui entra a parte mais honesta dessa resenha.


No começo nada fazia sentido — e eu pensei: “ok, talvez seja proposital”.Depois piorou um pouco.


A narrativa vai ficando cada vez mais surreal, mais simbólica, mais caótica. Chega um ponto em que você precisa simplesmente aceitar o absurdo e flutuar com ele.

E eu não consegui.


Talvez eu estivesse sóbria demais para entender essa história.Talvez eu não estivesse na vibração certa.Talvez esse seja exatamente o tipo de livro que funciona melhor quando você decide não tentar controlar o que está acontecendo.


Mas eu sou leitora que gosta de entender minimamente para onde estou sendo levada. E aqui, senti que o chão foi tirado dos meus pés — e nunca mais devolvido.


Horror? Sátira? Fantasia? Delírio?


Bunny mistura:

  • Horror psicológico

  • Sátira social

  • Fantasia grotesca

  • Crítica ao meio acadêmico

  • Alegorias sobre pertencimento e inveja


É um livro que fala sobre identidade, solidão, necessidade de aceitação e a construção de narrativas — tanto literárias quanto pessoais.


Mas é também um livro extremamente experimental.

E livros experimentais costumam dividir leitores.


Personagens e atmosfera


Samantha é uma narradora não confiável. Isso já muda completamente a experiência. Você não sabe o que é real, o que é fantasia, o que é metáfora.


As “Bunnies” são caricatas — propositalmente exageradas — quase como bonecas perfeitas com algo podre por dentro.


O clima é rosa, fofo, doce… e profundamente perturbador.

Essa dualidade é um dos maiores acertos da obra.


Minha conclusão


Eu não gostei do livro.

Mas reconheço que ele é bom.

Isso pode parecer contraditório, mas não é.


Existem livros que simplesmente não conversam com a gente no momento da leitura. Bunny é inteligente, bem escrito, provocador e ousado. Só que, para mim, a experiência foi mais confusão do que encantamento.


Realmente existe isso de que alguns livros não são para todo mundo — e esse definitivamente não foi para mim.


E está tudo bem.


Porque ler também é sobre descobrir o que funciona (e o que não funciona) para a gente.

Se você gosta de narrativas surreais, simbólicas, caóticas e cheias de camadas interpretativas, talvez Bunny seja exatamente o seu tipo de leitura.


Mas se você precisa de um mínimo de lógica para se sentir confortável… talvez essa não seja a melhor escolha.


E você? Já leu Bunny? Conseguiu embarcar nessa viagem rosa e perturbadora? 🐰

 
 
 

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