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Resenha: O Sítio — Marcus Barcelos

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • 10 de ago.
  • 3 min de leitura

Uma releitura sombria e melancólica do universo do Sítio do Picapau Amarelo


Oi gente...

Tudo bem com vocês ??



Nunca imaginei que voltaria ao Sítio do Pica-Pau Amarelo dessa forma.


A sensação ao começar O Sítio, de Marcus Barcelos, é uma mistura curiosa de nostalgia e estranheza. Tudo parece familiar: Pedrinho, Narizinho, a Cuca, o Visconde… nomes que fazem parte da memória afetiva de muitos leitores. Mas rapidamente fica claro que essa não é a história da nossa infância.


A magia ainda existe — só que agora ela é sombria, inquietante e cheia de cicatrizes.

Marcus Barcelos entrega uma releitura que brinca justamente com esse contraste entre memória afetiva e horror, transformando um dos cenários mais icônicos da literatura brasileira em algo muito mais obscuro e perturbador.


Pedrinho e Narizinho cresceram


Uma das coisas que mais me chamou atenção foi acompanhar Pedrinho e Narizinho agora adultos.


Confesso que foi estranho no começo ver esses personagens, tão ligados à infância, em uma realidade completamente diferente: casados, mais maduros e carregando traumas profundos.


Mas ao mesmo tempo existe algo reconfortante em perceber que, no fundo, eles continuam sendo exatamente quem sempre foram.


Pedrinho ainda carrega aquela coragem impulsiva, mesmo que leve tempo para entender o que precisa ser feito. Narizinho continua sendo uma presença forte, essencial para a narrativa e para o peso emocional da história.


O problema é que o passado nunca deixou realmente os dois seguirem em frente.


O passado sempre volta


A vida de Pedrinho e Narizinho é marcada pelas lembranças do Sítio e, principalmente, pelo dia em que precisaram partir para nunca mais voltar.


Foi um momento que deixou marcas profundas.


E o livro trabalha muito bem essa sensação de que certas histórias nunca terminam de verdade — elas apenas ficam esperando o momento certo para voltar.


O reencontro com a Cuca deixa isso muito claro.


Nada aconteceu por acaso.


Tudo fazia parte de algo maior, de um plano que já estava em movimento há muito tempo, mesmo sem que os protagonistas percebessem.


Essa construção cria uma atmosfera de tensão constante, porque a sensação é de que existe algo errado o tempo todo.


A Cuca continua assustadora


Se na infância a Cuca já era uma figura marcante, aqui ela ganha uma presença ainda mais assustadora.


Existe algo cruel, sombrio e quase inevitável em torno dela.


Ela não representa apenas uma ameaça física, mas também tudo aquilo que ficou mal resolvido naquele universo. Tudo aquilo que foi enterrado, mas nunca desapareceu de verdade.


E quando Narizinho desaparece, a narrativa mergulha de vez em sua parte mais intensa.

É nesse momento que Pedrinho precisa assumir seu papel.


Como o próprio Visconde aponta, ele pode até ser um pouco devagar para entender as coisas, mas quando finalmente compreende o que precisa fazer, volta a ser aquele menino valente que sempre conhecemos.


E é justamente isso que torna sua jornada tão interessante.


O Sítio já não é mais o mesmo

Talvez a parte mais melancólica de todo o livro seja perceber o estado atual do Sítio.

Ele continua lá.Mas está abandonado.Destruído.Vazio.


Sem a magia acolhedora que um dia o tornou especial.


Existe algo muito simbólico nisso, porque a história também fala sobre crescer e entender que nem tudo permanece intacto com o tempo.


Alguns lugares mudam. Algumas memórias se tornam dolorosas. E algumas mágicas simplesmente deixam de existir da forma como lembramos.


Vale a pena ler O Sítio?


Se você gosta de releituras sombrias, terror com forte carga nostálgica e histórias que subvertem universos conhecidos, O Sítio é uma leitura que vale muito a pena.


Marcus Barcelos consegue transformar nostalgia em desconforto de uma maneira extremamente interessante.


É uma história melancólica, sombria e carregada de simbolismo, que mostra que até os lugares mais mágicos podem esconder seus próprios monstros.


E sinceramente?

Nunca imaginei olhar para o Sítio do Picapau Amarelo com tanto desconforto. E exatamente por isso essa releitura funcionou tão bem para mim. ✨

 
 
 

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