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Resenha Dias Perfeitos - Raphael Montes

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • 14 de jan.
  • 2 min de leitura

Uma descida sombria à mente de um psicopata brasileiro.


Oi gente...

Tudo bem com vocês ???



Raphael Montes é conhecido por criar personagens complexos, perturbadores e extremamente realistas — e Dias Perfeitos é o exemplo máximo disso. Nesta história, acompanhamos o jovem Téo, um estudante de medicina obcecado pela morte, que vive uma vida pacata ao lado da mãe paraplégica. Sua frieza emocional é tão evidente que o leitor logo percebe: há algo profundamente errado com ele.


Mas tudo muda quando Téo conhece Clarice — uma jovem livre, espontânea e completamente diferente dele. A partir desse encontro, nasce uma obsessão doentia. Téo decide que Clarice será a mulher perfeita para ele, e, para garantir que ela perceba isso, ele não hesita em sequestrá-la e levá-la para uma viagem forçada rumo ao “amor ideal”.


A mente de Téo: o horror que vem da normalidade


O maior mérito de Dias Perfeitos é a forma como Raphael Montes nos coloca dentro da mente de Téo. A narrativa é tão convincente que, por momentos, é fácil esquecer que estamos diante de um psicopata. Ele raciocina, planeja, sente ciúme e age com uma frieza calculada que incomoda — e fascina.


O autor constrói a tensão em pequenos gestos, no modo como Téo fala com a mãe, como observa Clarice, como acredita estar “cuidando” dela. O horror aqui não vem de criaturas sobrenaturais, mas da banalidade do mal: da possibilidade de alguém assim existir em qualquer lugar, atrás de qualquer sorriso calmo.


Clarice: vítima ou sobrevivente?


Clarice é o oposto de Téo em tudo. É criativa, sarcástica e carrega uma energia caótica que o irrita e o atrai. Ao longo da narrativa, ela deixa de ser apenas uma vítima indefesa para se tornar uma força que desafia o controle do sequestrador. Raphael Montes brinca com a linha tênue entre o controle e a resistência, entre o medo e a manipulação — e o leitor é arrastado junto nessa dança perversa.


Raphael Montes e o desconforto como arte


O autor domina o thriller psicológico com maestria. Cada página é uma provocação, um convite ao desconforto. Montes não suaviza nada: o absurdo é tratado com naturalidade, e o que parece amor revela-se um estudo sobre possessão, moralidade e o limite da sanidade.


E quando o final chega — frio, ambíguo e completamente coerente com a loucura de Téo — o leitor é deixado em choque. É um desfecho que continua ecoando muito depois da última página.


Conclusão


Dias Perfeitos é um dos thrillers mais ousados da literatura brasileira contemporânea. Raphael Montes não tem medo de mergulhar no lado mais sombrio da mente humana e nos faz questionar até onde vai o amor — e onde começa a obsessão.

Um livro intenso, angustiante e brilhantemente escrito.

 
 
 

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