Resenha: De Novo Outra Vez, de E. Lockhart
- Talita Chahine

- 30 de jan.
- 2 min de leitura
Quando o amadurecimento não convence...
Oi gente...
Tudo bem com vocês ???

De Novo Outra Vez, de E. Lockhart, é um daqueles livros que prometem uma jornada de amadurecimento e autoconhecimento, mas acabam entregando uma experiência frustrante e pouco envolvente. Apesar da proposta inicial sugerir reflexões sobre privilégios, aceitação e crescimento pessoal, a execução deixa muito a desejar.
A narrativa acompanha uma jovem que sempre viveu em uma bolha confortável, cercada por privilégios e pela certeza de que sua presença era naturalmente querida. O choque acontece quando ela se depara com uma realidade muito diferente daquela que idealizou: o mundo não gira ao seu redor, nem todas as pessoas gostam dela e, principalmente, nem todos estão dispostos a tolerar seu comportamento.
Uma protagonista difícil de engolir
O maior problema de De Novo Outra Vez está em sua protagonista. Em vez de despertar empatia, ela se mostra mimada, egocêntrica e pouco disposta a refletir verdadeiramente sobre suas atitudes. O livro tenta construir uma trajetória de amadurecimento, mas esse processo parece superficial e forçado, fazendo com que o leitor tenha dificuldade em se conectar com suas dores ou aprendizados.
Em muitos momentos, a sensação é de que a personagem apenas reage às situações quando seu conforto é ameaçado, sem demonstrar um crescimento emocional real. Isso torna a leitura cansativa e, por vezes, irritante.
Personagens secundários e narrativa rasa
Os personagens secundários também não ajudam a sustentar a história. Em vez de aprofundar os conflitos ou trazer perspectivas interessantes, eles acabam reforçando o tom repetitivo da narrativa. Falta profundidade emocional, falta nuance e falta impacto.
A escrita de E. Lockhart continua sendo fluida — o que torna a leitura rápida —, mas isso não é suficiente para compensar a ausência de uma construção mais sólida dos personagens e do enredo. O drama proposto nunca atinge a intensidade esperada e dificilmente deixa alguma marca no leitor.
O único alívio: é um livro curto
Se há um ponto positivo em De Novo Outra Vez, é o fato de ser um livro curto. A leitura passa rápido, o que minimiza o desgaste causado por uma história que não consegue se sustentar. Ainda assim, a sensação final é de tempo mal aproveitado, já que a obra não entrega reflexões profundas nem uma evolução narrativa satisfatória.
Vale a leitura?
De Novo Outra Vez é uma leitura que pode agradar quem busca uma história muito simples sobre privilégios e choque de realidade, mas certamente não funciona para quem espera profundidade emocional, personagens bem construídos ou um amadurecimento convincente.
No fim, é um livro que promete reflexão, mas entrega frustração. Uma história sobre crescer, que acaba não crescendo junto com seu leitor.
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