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Resenha Tremembé: O Presídio dos Famosos — Ullisses Campbell

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • 18 de fev.
  • 2 min de leitura

Relatos reais, crimes esquecidos e os bastidores do presídio mais famoso do Brasil


Oi gente...

Tudo bem com vocês ???



“Tremembé: O Presídio dos Famosos” não é apenas um livro sobre crimes — é um mergulho direto nas entranhas do sistema prisional brasileiro e, principalmente, na mente daqueles que cometeram atos que marcaram a história do país. Ainda que muitos associem o nome Tremembé aos casos mais midiáticos, Ullisses Campbell faz um movimento diferente: ele amplia o olhar e nos apresenta histórias que, apesar de menos conhecidas, são igualmente — ou até mais — perturbadoras.


A obra não segue uma narrativa linear. Cada capítulo funciona como uma pequena novela, independente das demais, mas conectada por um mesmo espaço: os muros do presídio de Tremembé. Essa estrutura torna a leitura dinâmica e, ao mesmo tempo, desconfortável. Não há tempo para criar distância emocional entre um caso e outro; o leitor é constantemente jogado de uma história brutal para a próxima.


Um dos pontos mais interessantes do livro é a forma como o autor retrata o regime semiaberto dentro de Tremembé. Diferente do imaginário popular, os detentos têm, sim, algumas regalias — trabalho externo, maior circulação e certa autonomia. No entanto, tudo isso existe sob um conjunto rígido de regras. Um único erro pode significar a perda imediata desses privilégios e o retorno ao regime fechado. Essa tensão constante ajuda a entender como funciona a hierarquia informal do presídio e o comportamento dos presos dentro e fora das celas.


Embora casos amplamente conhecidos pelo público apareçam ao longo da obra, eles não são o foco principal. Ullisses opta por iluminar crimes que ficaram à margem da grande mídia, mas que revelam níveis extremos de crueldade, abandono institucional e falhas históricas do Estado brasileiro. O livro escancara não apenas os atos cometidos, mas também os contextos sociais, políticos e familiares que cercam esses crimes.


O autor também não suaviza o que há de mais desconfortável na leitura: crimes cometidos dentro do próprio núcleo familiar, violências motivadas por preconceito, abusos sistemáticos e decisões que revelam o pior da condição humana. São relatos difíceis, mas necessários — especialmente para quem consome true crime sem refletir sobre suas consequências reais.


Ao final da leitura, fica impossível não encarar a pergunta que atravessa todo o livro, mesmo quando não é explicitamente formulada: essas pessoas, depois de cumprir suas penas, estão realmente aptas a voltar à convivência em sociedade? A obra não oferece respostas prontas. Ullisses Campbell se limita a fazer o que faz de melhor: investigar, narrar e expor. O julgamento fica nas mãos do leitor.


“Tremembé: O Presídio dos Famosos” é uma leitura pesada, inquietante e extremamente relevante. Não é um livro para entretenimento vazio, mas para reflexão — sobre justiça, punição, ressocialização e sobre os limites do que somos capazes de aceitar como sociedade.


 
 
 

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