Resenha: Os Relógios – Agatha Christie
- Talita Chahine

- 19 de jun.
- 2 min de leitura
Um mistério diferente, cheio de pistas escondidas e um Poirot nos bastidores
Oi gente...
Tudo bem com vocês ??

“Os Relógios”, da Agatha Christie, é mais uma prova de que a Rainha do Crime sempre consegue enganar o leitor — e dessa vez não foi diferente, mais uma vez fui completamente feita de trouxa pela autora.
A história começa quando Sheila Webb chega a uma casa para realizar um trabalho de datilografia e se depara com uma cena inesperada: um homem morto no hall de entrada. Assustada, ela tenta entender o que está acontecendo, mas a situação fica ainda mais estranha quando uma senhora entra na casa e aparentemente não percebe o corpo, o que logo descobrimos fazer sentido, já que a mulher é cega.
Desesperada, Sheila sai correndo e acaba encontrando Colin Lamb, que estava passando pela rua naquele momento procurando um endereço específico. Ele então chama a polícia, e o caso passa a ser investigado pelo Inspetor Hardcastle.
O grande problema é que o caso parece impossível: ninguém viu o homem entrar na casa, a moradora é cega, Sheila não tem nenhuma ligação com a vítima e, para piorar ainda mais a situação, vários relógios são encontrados na cena do crime, todos marcando horários diferentes. Nada parece fazer sentido, e quanto mais a investigação avança, mais confuso tudo fica.
A narrativa desse livro é um pouco diferente de outros livros da Agatha Christie, porque acompanhamos a história principalmente por dois pontos de vista: o do Inspetor Hardcastle e o do Colin. E é justamente Colin que tem uma ligação muito interessante com a história, já que ele é amigo de um certo detetive belga que todos nós conhecemos muito bem: Hercule Poirot.
Poirot não participa diretamente da investigação dessa vez, mas ele acompanha o caso à distância e dá algumas orientações para Colin, que acabam sendo essenciais para que a verdade venha à tona.
O livro tem um tom um pouco mais leve em alguns momentos, com diálogos até engraçados, mas o mistério continua muito bem construído. E como sempre, Agatha Christie planta todas as pistas na nossa frente, mas a gente simplesmente não percebe.
O desfecho é aquele clássico da autora: surpreendente, bem amarrado e que faz a gente querer voltar algumas páginas para ver onde foi que deixou passar as pistas. Porque a solução faz sentido, mas dificilmente passa pela cabeça do leitor durante a leitura.
“Os Relógios” talvez não seja o livro mais famoso da Agatha Christie, mas é definitivamente um dos mais engenhosos. Um mistério diferente, inteligente e com aquele final que só a Rainha do Crime sabe entregar.
Se tem uma coisa que Agatha Christie sabia fazer, era enganar a gente direitinho — e eu caí mais uma vez.
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