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Resenha Not a Happy Family - Shari Lapena

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • 4 de mar.
  • 3 min de leitura

Um thriller doméstico sobre herança, segredos e ressentimentos: quando um jantar de Páscoa termina em morte


Oi gente...

Tudo bem com vocês ???



Se você procura um thriller de leitura rápida, daqueles que funcionam muito bem para sair de uma ressaca literária ou simplesmente “passar o tempo” com uma história cheia de suspeitas, Not a Happy Family entrega exatamente isso. Shari Lapena não reinventa o gênero, mas sabe como poucos construir tensão familiar, espalhar pistas suficientes para manter a curiosidade e amarrar tudo com reviravoltas que, mesmo quando não chocam, continuam divertidas de acompanhar.


Aqui, o crime não nasce do nada: ele é o resultado natural de uma casa onde afeto sempre foi moeda de troca e onde o poder — especialmente o poder financeiro — é usado como forma de punição.


Do que se trata ?


A família Merton parece o retrato perfeito da estabilidade: dinheiro, casa impecável, pais presentes e três filhos adultos já “encaminhados”. Mas basta um evento social, um encontro aparentemente comum, para a máscara cair. No jantar de Páscoa, o clima azeda rápido e a noite vira um campo minado de acusações, ressentimentos e humilhações antigas.


Poucas horas depois, Fred e Sheila Merton são encontrados mortos dentro de casa, sem sinal de arrombamento. A partir daí, a investigação começa com uma verdade desconfortável: quando a violência acontece “entre quatro paredes”, quase sempre o culpado está mais perto do que parece.


E, claro, as suspeitas recaem sobre quem tinha acesso, motivos e um histórico emocional explosivo: os três filhos — além da empregada, que vira suspeita “conveniente” no tipo de dinâmica que a autora gosta de explorar.


O grande motor do livro: família como cenário de crime


O que faz Not a Happy Family funcionar é a forma como Lapena transforma uma família em um tabuleiro de guerra. Não existe aquele “amor incondicional” típico de histórias sentimentais; aqui, tudo é medida: quem decepcionou mais, quem foi mais injustiçado, quem merece mais, quem tem mais direito ao dinheiro e — principalmente — quem foi mais ferido.


Cada filho carrega uma ferida específica:

  • Catherine, a mais velha, vive com a cobrança constante de ser impecável — e ainda assim nunca é suficiente.

  • Dan é o exemplo do filho que “deu errado”, cercado por expectativas e frustrações financeiras.

  • Jenna, a caçula, é a dependente da família, a que parece “fora do padrão”, mas que também tem seus próprios segredos.


Esse trio é interessante porque o livro te faz oscilar o tempo inteiro entre empatia e desconfiança. Você entende as motivações… mas não consegue confiar totalmente em ninguém.


Ritmo, estrutura e a escrita viciante da autora


A Shari Lapena tem uma assinatura muito clara: capítulos curtos, cortes rápidos, informação entregue aos poucos e aquela sensação constante de “só mais um”. O ritmo é muito bom porque a autora não deixa a tensão esfriar: sempre que você acha que entendeu a dinâmica, entra um detalhe novo que muda o peso de uma conversa anterior.


A investigação não vira um procedural técnico — ela é mais um fio condutor para expor o que realmente importa: como essa família chegou a esse ponto.


Herança, testamento e o tipo de reviravolta que muda tudo


Sem revelar demais: existe um momento em que o livro ganha outra cara quando um detalhe ligado à herança entra em cena. É o tipo de virada que faz sentido dentro do que já vinha sendo insinuado, mas ainda assim mexe com a hierarquia de suspeitos e reconfigura o “quem ganha com isso”.


E é aqui que o livro melhora: porque a trama deixa de ser só “quem matou?” e vira também “quem está mentindo há mais tempo?”.


O que eu achei: não é memorável, mas é eficiente


Eu entrei na leitura com expectativas bem realistas: Lapena, para mim, costuma ser aquela autora do “ok, foi divertido”. E foi exatamente isso. Não é um thriller que vai ficar ecoando por semanas, nem o mais surpreendente do subgênero, mas é muito eficiente no entretenimento: dá vontade de continuar, as peças se encaixam, e o final é mais interessante do que eu esperava.


Se você gosta de thriller doméstico, mistério familiar, histórias com herança, mentiras e relações podres, esse é um prato cheio.

Para quem eu recomendo

  • Quem gosta de thrillers rápidos e viciantes, com capítulos curtos

  • Quem curte histórias sobre famílias ricas cheias de segredos

  • Quem gosta de mistério com clima de “todo mundo é suspeito”

  • Quem quer um livro ideal para maratona ou para retomar o hábito de leitura

 
 
 

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