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Resenha Making Space - R. F. Kuang

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • 29 de abr.
  • 2 min de leitura

O que começa como um gesto simples de empatia rapidamente se transforma em um pesadelo moral difícil de ignorar.


Oi gente...

Tudo bem com vocês ??



A história se inicia quando uma mulher encontra um garotinho sozinho, perdido no meio do mato. Sem saber quem ele é ou de onde veio, ela decide levá-lo para casa enquanto tenta descobrir sua identidade e encontrar alguém responsável por ele. A princípio, tudo parece caminhar para uma narrativa sensível e até reconfortante: uma adulta oferecendo abrigo, cuidado e segurança a uma criança vulnerável.


Mas Making Space não é uma história sobre conforto — e R. F. Kuang deixa isso claro muito rápido.


O ponto de virada acontece quando o menino vê uma mulher grávida. A reação dele é imediata, intensa e perturbadora. A partir desse momento, o clima da narrativa muda completamente. O que antes parecia um conto delicado passa a se transformar em algo sombrio, inquietante e profundamente desconfortável.


A protagonista percebe, pouco a pouco, que trouxe algo para dentro de casa que não compreende — e talvez não consiga controlar.


Kuang constrói a tensão de forma silenciosa, quase sufocante. Não há excesso de explicações, nem respostas fáceis. O medo nasce daquilo que não é dito, dos silêncios, dos gestos estranhos e da sensação constante de que algo está errado. A autora brinca com a expectativa do leitor, levando a história para um território moralmente complexo, onde não existe uma escolha claramente correta.


A protagonista vê sua vida desmoronar em questão de horas. O instinto de proteção entra em conflito com o medo, a culpa e a responsabilidade. O garoto é uma vítima? Uma ameaça? Ambos? Nenhuma das opções traz alívio. E então surge a decisão final: entregá-lo às autoridades ou fugir, assumindo as consequências de qualquer que seja a escolha.


Um dos grandes méritos de Making Space está justamente nesse dilema. A história não oferece conforto ao leitor, nem tenta amenizar o peso das decisões. Kuang propõe uma reflexão amarga sobre maternidade, instinto, responsabilidade e até sobre como projetamos expectativas em crianças — especialmente quando elas fogem do que consideramos “normal”.


Curto, intenso e perturbador, Making Space é um conto que começa suave, mas termina deixando um nó no estômago. É o tipo de leitura que não busca agradar, e sim provocar — e faz isso com extrema eficiência.


Um conto pequeno em tamanho, mas enorme em impacto.

 
 
 

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