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Resenha A Ridícula Ideia de Nunca Mais te Ver - Rosa Montero

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • 26 de jan.
  • 3 min de leitura

Uma leitura sobre luto, amor e reinvenção...


Oi gente...

Tudo bem com vocês ??


Um livro que fala sobre a dor que ninguém ensina a sentir



A Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver é um daqueles livros que chegam até o leitor sem prometer nada grandioso, mas acabam deixando marcas profundas. Misturando memória pessoal, ensaio e biografia, Rosa Montero constrói uma narrativa que fala sobre perda, sobrevivência e a difícil tarefa de continuar vivendo depois que alguém amado se vai.

A obra nasceu do luto da autora após a morte de seu marido, Pablo, e se desenvolve a partir de um paralelo com a vida intensa e dolorosa de Marie Curie. Duas mulheres separadas pelo tempo, mas unidas por uma experiência universal: o impacto irreversível da perda.


Luto sem romantização: o que esse livro faz diferente

Ao contrário de muitas obras que tratam o luto de forma suavizada ou simbólica demais, A Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver fala sobre a dor real. Aquela que desorganiza, que não segue uma linha reta, que não respeita prazos e que não desaparece com o tempo.


Rosa Montero não tenta explicar o luto — ela o vive na página. E é justamente isso que torna a leitura tão potente. O livro deixa claro que o sofrimento não é igual para todos, que não existe manual, nem cura definitiva. O que existe é adaptação.


Essa abordagem honesta faz com que o leitor se reconheça facilmente, mesmo quando a experiência da perda é diferente. Afinal, o luto não se limita à morte: ele também aparece nas rupturas, nas mudanças bruscas, nos fins que nunca pedimos.


Marie Curie como espelho da dor e da resistência


A presença de Marie Curie na narrativa não é apenas histórica ou biográfica. Ela funciona como um espelho emocional. Ao revisitar a vida da cientista — marcada por preconceito, perdas, solidão e persistência — Rosa Montero constrói um diálogo silencioso entre duas mulheres que precisaram se reinventar para não desaparecer junto com quem perderam.

Marie não é retratada como um ícone distante, mas como uma mulher atravessada por dores muito humanas. E é nesse ponto que o livro ganha ainda mais profundidade: ele mostra que sobreviver não é um ato heroico, mas uma necessidade diária.


Quando a leitura encontra a experiência pessoal


É impossível ler esse livro sem ser atravessado por ele. Em muitos momentos, as palavras de Rosa Montero ecoam vivências próprias. A perda de alguém querido, especialmente após uma longa batalha contra uma doença como o câncer, traz uma exaustão emocional difícil de explicar.


O livro fala sobre acompanhar alguém que amamos enquanto ele se enfraquece, sobre a culpa, o medo, a esperança que insiste em ficar mesmo quando tudo aponta para o fim. E, principalmente, sobre o depois — esse território silencioso onde a ausência se instala.


Rosa defende algo simples e profundamente verdadeiro: a beleza ainda existe, mesmo nos dias mais sombrios. Ela não apaga a dor, mas caminha ao lado dela.


Amor, memória e reinvenção


Um dos grandes méritos de A Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver é mostrar que o luto não é apenas sobre perda, mas também sobre amor. Sofremos porque amamos. E continuamos vivendo porque esse amor não desaparece — ele apenas muda de lugar.


O livro propõe uma reflexão delicada: talvez o luto seja o primeiro passo para uma reinvenção forçada de quem somos. Não porque queremos, mas porque precisamos. A vida não volta a ser como antes, mas pode, aos poucos, encontrar novos significados.


Por que ler A Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver


Este não é um livro fácil, mas é profundamente necessário. Ele não oferece respostas prontas, nem finais confortáveis. O que ele oferece é companhia — algo raro quando se está em luto.


É uma leitura indicada para quem já perdeu alguém, para quem tem medo de perder, ou simplesmente para quem deseja entender melhor as emoções humanas em sua forma mais crua e verdadeira.


Conclusão: a dor não some, ela se transforma


A Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver é um livro sobre aceitar que algumas dores não passam. Elas apenas se transformam. Aprendemos a conviver, a ressignificar, a seguir em frente carregando aquilo que nos marcou.


Não é uma história sobre superação no sentido tradicional. É sobre sobrevivência. E, acima de tudo, sobre amor.


 
 
 

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