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Resenha – A Fórmula Preferida do Professor – Yoko Ogawa

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • 8 de jun.
  • 2 min de leitura

Uma resenha emocionante sobre o livro de Yoko Ogawa e a beleza das relações construídas mesmo quando o tempo não permanece.


Oi gente...

Tudo bem com vocês ??


Capa do livro A Fórmula Preferida do Professor, de Yoko Ogawa. A imagem mostra uma escada de madeira com detalhes em vermelho e degraus claros, com um corrimão de madeira e um poste com topo arredondado vermelho. O fundo é claro e minimalista. O nome da autora Yoko Ogawa aparece na parte superior e o título A Fórmula Preferida do Professor aparece na parte inferior em letras amarelas. No canto inferior está o logotipo da editora Estação Liberdade.

Existem alguns livros que são silenciosos, mas que deixam marcas profundas, e A Fórmula Preferida do Professor é exatamente esse tipo de história. Um livro delicado, sensível e profundamente humano, que fala sobre memória, solidão, afeto e sobre como as relações mais importantes da nossa vida podem nascer nos lugares mais improváveis.


A história começa quando uma mulher aceita um emprego como faxineira em uma casa onde nenhuma funcionária conseguiu permanecer por muito tempo. Logo ao chegar, ela descobre o motivo: o homem para quem ela irá trabalhar sofreu um acidente e, desde então, sua memória dura apenas 80 minutos. Depois desse tempo, tudo se apaga e ele precisa recomeçar o mundo novamente.


O professor vive preso em um tempo que não existe mais. Para ele, ainda estamos na década de 1970, e tudo o que aconteceu depois disso simplesmente não faz parte da sua realidade. Sua roupa é cheia de bilhetes presos com alfinetes, lembretes que o ajudam a entender quem ele é, o que aconteceu e quem são as pessoas ao seu redor. Todos os dias ele precisa ser lembrado de que não pode confiar na própria memória, e para um matemático, isso é quase uma crueldade.


Todos os dias a faxineira chega, e todos os dias ele faz as mesmas perguntas. E todos os dias ela responde como se fosse a primeira vez. E assim, pouco a pouco, nasce uma relação improvável, construída na repetição, na paciência e no cuidado.


Quando o professor descobre que ela tem um filho, Raiz, um menino de 10 anos, ele passa a fazer parte dessa pequena rotina, e é através da relação entre o professor e o menino que a gente começa a entender quem aquele homem foi antes do acidente. A matemática passa a ser a linguagem que conecta os dois, e é também através dela que o professor consegue demonstrar carinho, cuidado e atenção.


Esse não é um livro sobre grandes acontecimentos, é um livro sobre pequenas coisas: sobre lembrar todos os dias quem são as pessoas importantes, sobre repetir histórias, sobre ensinar, sobre ter paciência, sobre aceitar as limitações da vida e, principalmente, sobre como o amor e o cuidado podem existir mesmo quando a memória falha.


A Fórmula Preferida do Professor é uma história sobre o tempo, sobre aquilo que a gente perde, mas também sobre aquilo que permanece. Porque algumas coisas, mesmo que a gente esqueça, continuam existindo dentro da gente.


É um livro calmo, sensível e muito humano. Uma história que fala sobre envelhecer, sobre solidão, sobre cuidado e sobre as relações que a gente constrói ao longo da vida. Um livro que não grita, mas que sussurra — e talvez por isso mesmo seja tão bonito.

 
 
 

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