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Resenha A Ceia - de Márcio Cardoso Pacheco

  • Foto do escritor: Talita Chahine
    Talita Chahine
  • 6 de abr.
  • 2 min de leitura

Um jantar em família, segredos sufocantes e o horror que se esconde no que nunca foi dito


Oi gente ...

Tudo bem com vocês ??



Essa foi, sem exagero, uma das resenhas mais difíceis que já escrevi. E o motivo é simples: A Ceia tem apenas 12 páginas, mas consegue condensar nelas uma quantidade absurda de tensão, desconforto e revelações.


Aqui acompanhamos Nathalie, uma mulher que vive longe da família e, por isso, mantém um contato distante com seus parentes. Tudo muda quando ela recebe um telefonema inesperado: seus tios irão visitá-la justamente no Dia de Ação de Graças. Animada — e talvez tentando preencher lacunas afetivas — Nathalie prepara uma ceia completa, esperando transformar o reencontro em algo acolhedor.


Mas desde a chegada dos tios, algo está… errado.


Eles parecem pouco interessados na comida, no clima de celebração ou mesmo em amenidades. O verdadeiro motivo da visita é outro: eles precisam dizer algo importante. À medida que a conversa avança, o que deveria ser apenas um jantar familiar se transforma em um acúmulo de revelações que deixam Nathalie tomada por raiva — especialmente direcionada à mãe, a única pessoa que, supostamente, conhecia aqueles segredos.


O ponto de virada vem quando Nathalie decide ligar para confrontá-la. A resposta da mãe não apenas desmonta tudo o que foi dito até ali, como eleva a história a um nível ainda mais perturbador. Afinal, ela garante não ter contado absolutamente nada aos tios.

E é nesse momento que A Ceia mostra toda a sua força.


Com pouquíssimas páginas, o conto constrói uma atmosfera sufocante, brinca com a confiança do leitor e deixa perguntas ecoando mesmo após o ponto final. Nada é gratuito, nenhuma fala é desperdiçada. Cada detalhe importa — e o silêncio, aqui, pesa tanto quanto as palavras.


É um conto rápido, mas longe de ser simples. A Ceia prova que não é o tamanho da história que define o impacto, e sim o que o autor consegue fazer com cada linha. Uma leitura curta, inquietante e que fica martelando na cabeça muito depois de terminar.

Ideal para quem gosta de narrativas que parecem inocentes no começo, mas que terminam deixando um gosto amargo — exatamente como certos jantares em família.

 
 
 

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